(bíblico-histórico)
INTRODUÇÃO
Enquanto pondero sobre esse tópico, as palavras de João vêm à minha mente: “O que era desde o princípio, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos, e o que as nossas mãos tocaram, do Verbo da vida – E a vida foi revelada, e nós vimos, e testificamos, e vos anunciamos que a vida eterna…. O que vimos e ouvimos, isso também vos anunciamos, para que tenhais comunhão conosco” (João 1:1-l).
Ele fala claramente de olhar e pertence aos profetas de Deus. Suas palavras mostram as qualidades importantes de um profeta:
(a) ver – ouvir – é receber;
(b) ver a ação de Deus em Cristo, na história da salvação;
(c) fornecer, meios para transmitir aceitos;
(d) introduzir o Mistério de Cristo; moldar os indivíduos e a sociedade.
Vamos considerar os recursos individuais.
a) A recepção de Deus pode ocorrer em vários níveis: no nível normal de receber mensagens por meio da natureza (revelação normal); o fenômeno sobrenatural regular de receber os dons de Deus no nível das virtudes teológicas (por meio da fé, da confiança e do amor); a recepção sobrenatural especial de revelações divinas de natureza carismática, quando Deus revela algo a alguém para a edificação do povo de Deus.
Em nosso caso, trata-se da última forma de doação de Deus, quando o Senhor revela algo a alguém, descobre-o, para que ele possa transmiti-lo a outros na sociedade da Igreja para ser usado para edificação. João, especificamente, mergulhou no Mistério de Cristo e viu o que os outros, seus contemporâneos, não viram!
(Talvez seja apropriado chamar a atenção aqui para a discussão correta e completa entre os teólogos sobre a diferença entre visão e revelação. A saber, essa visão pode vir de uma visão interior, dada por Deus – uma visão no sentido literal; ela também pode vir de fora e, nesse caso, é uma aparição ou uma visão no sentido mais amplo. Acredito que, em nosso caso, isso não diz respeito à essência de nosso tópico e não nos deteremos nisso!)
b) Precisamos prestar atenção e aceitar a ação salvífica em nós, na Igreja, na história da salvação: João nos direciona explicitamente a Jesus Cristo.
c) O testemunho e a transmissão do aceito, em nosso caso, são cumpridos por meio do testemunho das palavras de João, mas podem ser cumpridos de outras maneiras, como será dito mais adiante.
(d) O testemunho de João tem o objetivo de incentivar a fé e apresentar o Mistério de Cristo. Compare também o final do Evangelho de São João, que chama a atenção para o seguinte: “Estas coisas foram escritas para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome” (João 20:1).
O exemplo de João nos serve para observar os elementos essenciais do papel do vidente. Ele pode ser visto em seus aspectos histórico-bíblico e histórico-eclesiástico e, assim, podemos ver sua complexidade e amplitude, seu envolvimento com a psique humana, com a comunidade e com as ações históricas do Divino.
Vamos nos debruçar sobre esses elementos, primeiro biblicamente e depois pelo prisma da história da Igreja, para finalmente aplicá-los aos dias atuais.
E UMA PERSPECTIVA BÍBLICO-HISTÓRICA
Antigo Testamento: Abraão, Moisés, os profetas
O Antigo Testamento nos fornece muitos exemplos para analisar o papel dos videntes: começando com Abraão, Moisés, Samuel e os inúmeros profetas.
O exemplo de Moisés é particularmente útil e rico para observar os diferentes elementos dessa função:
- encontra Deus na sarça ardente;
- ouve Sua palavra da sarça, da nuvem, do céu (Êxodo 1 – 2 – ³);
- aprende sobre a história de Israel sob uma nova luz; aprende sobre as promessas feitas aos pais;
- ouve a promessa de libertação;
- deve transmitir isso ao seu povo; ele deve tirá-los da terra da escravidão;
- conduz o povo de Deus para fora do Egito, guia-os pelo deserto; por meio dele, o Senhor faz uma aliança com seu povo;
- chama a atenção de Israel para o Pacto; encoraja-os e encoraja-os; beneficia-os e ameaça-os; conforta-os em suas preocupações; cura suas feridas em nome de Deus.
Entre os profetas, poderíamos mencionar Jeremias, cujo destino é turbulento e doloroso, que ele sente profundamente e descreve em seu chamado ao ministério profético e em suas Confissões, onde mostra suas amargas experiências e aflições a serviço da Revelação Divina: cf. Jeremias 1, 4-19 – O chamado de Jeremias; 20, 7-18 – As ‘Confissões’ de Jeremias.
O mesmo aconteceu com Moisés e os profetas:
- receberão a Palavra de Deus; eles serão videntes (daí também o nome “roeh” – videntes);
- Deus revelará seus segredos a eles como amigos,
- Esses mistérios estão relacionados a Seus planos de salvação,
- eles deveriam transmiti-las ao povo de Deus para ajudá-los em sua aliança com Deus, em sua vida com Deus: se forem pecadores – para se arrependerem, se forem justos – para serem ainda mais justos, se estiverem em tristeza e escuridão – para confortá-los e iluminá-los….
Novo Testamento: Jesus, Maria, Isabel, Simão, os apóstolos
Embora Cristo seja a fonte e o modelo de toda mediação entre Deus e o povo, por ser o único mediador, não é aconselhável – em nosso caso – nos determos nele separadamente. Pois Ele difere em um aspecto essencial de todos os outros mediadores do Novo e do Antigo Testamento: Ele contempla o Pai face a face e O revela a nós, Ele é o SUCESSO DO PAI, e todos os outros intermediários são apenas Seu reflexo. Ele é o SOBERANO do Pai, e todos os outros serão apenas sua voz ou eco, como João Batista (…).
A diferença entre Jesus e os outros videntes é, portanto, essencial; Ele é o PAI da luz, os outros apenas um reflexo, um espelho; Ele é a ALMA, enquanto os outros apenas uma voz, um som. Portanto, vamos nos deter nas outras figuras do Novo Testamento, como a Virgem Maria, João, Paulo.
A Virgem Maria é uma vidente:
- que recebe uma mensagem do Arcanjo Gabriel e, por meio do Espírito de Deus, recebe a Palavra de Deus, torna-se a Mãe de Deus;
- está imediatamente pronto para o Caminho no serviço da Redenção;
- transfere a graça de seu Filho para Elzbieta e seu filho John;
- no hino AGAIN declara a glória de Deus e proclama a Elisabeth e a todos nós as grandes obras de Deus.
Seu papel como “vidente” é muito simples em sua maior sublimidade: simples como o papel de uma mãe que concebe; ela serve a criança, carrega-a, alimenta-a e a cria e, quando ela cresce, a transmite a outros!
O exemplo de Maria, parece-me, é particularmente importante porque, na história da Igreja, Maria aparece com muita frequência para os videntes:
- se apressa para as montanhas da Judeia para ajudar sua prima necessitada Elisabeth, se apressa para todos nós que estamos em necessidade;
- e nos traz o Salvador porque ela é Sua Mãe;
- e mostra isso nas palavras de seu hino: Ele glorifica; no qual podemos ver a ação do Salvador nos pequenos, nos pobres, nos rejeitados;
- e anuncia o cumprimento da história da salvação em Israel e no povo de Deus!
Vamos nos deter também no Apocalipse de João, que em visões descobre o estado das sete igrejas na Pequena Ásia (Apocalipse 1:³) e observa a batalha final pelo homem entre Deus e Satanás (Apocalipse 4:20). Os sinais subjacentes estão ocultos aqui:
- observando, observando o estado de cada igreja,
- chamou-os ao arrependimento, incentivou-os a perseverar, confortou-os ou humilhou-os,
- apresentou-lhes os frutos da Redenção,
- O profeta, em suas visões, observa lutas severas em direção ao fim da humanidade,
- Aqui ele descobre a dura realidade, o horror do pecado, o poder do mal; ele descobre o poder de Deus, a obra da Salvação, o papel dos anjos de Deus;
- A vitória final de Deus.
Poderíamos concluir essa breve visão geral do papel dos profetas videntes na Bíblia com as palavras de São Paulo: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e é útil para a doutrina, para a detecção de erros, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, preparado para toda boa obra” (2 Tim. ł, 16-17).
O papel das Escrituras e dos divulgadores das Escrituras é claramente enfatizado:
- múltiplos benefícios em aprimoramento e crescimento,
- crescer em direção à perfeição nas obras de amor.
A revelação de Deus e, consequentemente, o papel dos videntes, estão a serviço da vida:
- Coloquei diante de você a vida e o bem, a morte e o mal, portanto, escolha a vida para viver!
- Jesus desceu para nos dar vida, e a plenitude da vida (João 10:10);
- e é por isso que João escreve seu Evangelho – para que possamos viver pela fé (João 20:³0);
- É por isso que Jesus envia os apóstolos por todo o mundo para proclamar as Boas Novas e batizar todas as nações (Mt 28:19), para que, após o batismo, eles possam se tornar filhos de Deus, ter a vida divina dentro de si e participar do Reino dos Céus (cf. João 1:5).
II ATRAVÉS DA HISTÓRIA DA IGREJA
A economia da salvação no Antigo e no Novo Testamento alcança os proclamadores de Deus: anjos, profetas, videntes, apóstolos – portanto, pode-se esperar que o Senhor faça o mesmo na história da Igreja.
E, de fato, observamos que, ao longo da história, é dito como Deus, em momentos específicos, por meio de videntes específicos, revelou Sua vontade…
Em tempos mais recentes, vamos mencionar a vidente Santa Margarida Maria Alacoque em Paraylle – Mognal, Bernadete em Lourdes e as videntes em Fátima: Lúcia, Francia e Jacinta, reconhecidas pela Igreja como autênticas.
Em Santa Maria Margarida, vemos como, por meio dela, o Senhor nos chama a viver de acordo com o Mistério do amor de Seu Divino Coração. As revelações dadas por meio dela não foram aceitas imediatamente, mas encontraram resistência entre as personalidades da Igreja. Foi somente mais tarde que a Igreja aceitou uma parte importante dessas mensagens e, a partir das revelações bíblicas, recomendou especialmente a veneração do Sagrado Coração de Jesus (cf. Pio XII: Haurietis aquas de fontibus Salvatoris: Tirareis água da Fonte do Salvador). Aqui fica evidente que os videntes não acrescentam nada de novo às aparições, mas apontam para aparições já dadas, que eles destacam em certas circunstâncias como um incentivo para uma vida cristã mais profunda!
Em Bernadette e nos videntes de Fátima, observamos que:
- São crianças sem escolaridade que não conseguem chegar às mensagens de que falam por meio de sua própria reflexão; portanto, receberam uma mensagem de Nossa Senhora;
- pregá-las ao povo;
- transmiti-los aos pastores da Igreja;
- viver de acordo com elas;
- encontrar dificuldades para comunicar as mensagens de Nossa Senhora, por parte do povo e das autoridades civis e eclesiásticas;
- Finalmente, a autenticidade de suas aparições é registrada (por meio de suas vidas, da correspondência das mensagens com a Sagrada Escritura, dos frutos de suas vidas, dos sinais milagrosos que acompanham essas aparições).
O papel dos espectadores
Para enfatizar o papel dos videntes – que é o nosso tópico – podemos dizer que ela pertence a eles.
- recebimento de mensagens,
- pregando as mensagens,
- vivendo de acordo com elas.
a) O papel do público na “recepção” das mensagens
O princípio filosófico é: O que quer que seja aceito, deve ser aceito de uma forma que se adapte ao destinatário.
Isso nos explica com bastante clareza as diferentes maneiras pelas quais as mensagens são recebidas por crianças e adultos, homens e mulheres, em diferentes meios culturais, em diferentes épocas (a mesma mensagem é proclamada pelo Senhor de maneira diferente para um negro e para um europeu; de maneira diferente na Idade Média e em nossa época). Deus usa uma linguagem que o receptor entende: a criança, o adulto, o judeu, o cristão, o europeu, o africano, o homem na visão de mundo e ciência medievais, o homem na visão de mundo e história modernas.
Tudo o que temos de fazer é chamar a atenção para isso.
b) O papel do público em relação ao “Conteúdo” das mensagens
Analisando as mensagens que os videntes de Lourdes e Fátima e de outros lugares (na história da Igreja) recebem, vemos que eles estão simplesmente transmitindo as mensagens já contidas na Revelação Universal que nos foi dada,
- que transmitem apenas determinadas mensagens que são particularmente importantes em determinados momentos,
- Que eles detalhem e destaquem essas mensagens.
Tendo já tomado o exemplo de Santa Margarida e dos pastores de Fátima, vamos também enfatizar que as primeiras aparições enfatizam o Amor de Deus descoberto no Divino Coração de Jesus, enquanto as segundas aparições de Fátima nos mandam venerar o Sagrado Coração de Maria. É interessante observar a conexão: o amor de Deus se revela a nós e se entrega a nós em uma forma familiar – no Coração de Jesus e de Maria! E ambas as devoções renovam nossos corações e toda a nossa vida cristã.
Em relação às mensagens que transmitem, eles são, portanto:
- ehem sobre as mensagens da Bíblia,
- são selecionadores das mensagens que transmitem a uma determinada geração em suas circunstâncias específicas,
- são os amplificadores dessas mensagens, que então reverberam com um eco mais forte e são mais bem ouvidas.
- A missão de João Batista define claramente o papel dos videntes: ele mostrou o Salvador, enviou seus discípulos a ele e lhes disse: “Eu devo me tornar cada vez menor, e ele deve se tornar cada vez maior” (…). O vidente deve se esconder nas sombras, enquanto o Coração de Deus se eleva acima do horizonte. Também podemos citar o exemplo da Estrela da Manhã: Ela anuncia o dia, mas quanto mais o dia se aproxima, ela se desvanece e desaparece à luz do Sol! O Sol é o mais importante, é para ele que aponta o caminho! Os videntes também são!
- servir voluntariamente ao Evangelho: “de graça recebida, de graça dada” (Mateus 10:8). Assim, ele está a serviço de dar presentes e se torna ele mesmo um presente! (Esse é seu papel e, ao mesmo tempo, o critério de autenticidade: serviço e serviço gratuito! Queimar como uma vela que brilha e desaparece para que os outros possam viver!)
- edificando a Igreja, o Corpo de Cristo: “Indo por todo o mundo … (cf. Mar. 16:15);
- em sua função, o vidente está em referência:
- à revelação divina universal,
- para a hierarquia da Igreja, que Cristo designou para liderar a
Igreja;
- para o povo de Deus;
- para o mundo.
(Esses são tópicos que apenas abordamos e que precisam ser aprofundados, analisados e elaborados em relação às mensagens transmitidas por cada um dos visionários).
c) Conteúdo das mensagens
Este não é o lugar nem o momento para considerar cuidadosamente o conteúdo do discurso, caso contrário, ele é importante e necessário!
Talvez possamos ilustrar de forma vívida o papel dos videntes:
- Eles são receptores. No entanto, nem todo receptor é igualmente adaptado para receber todas as ondas, ele tem de estar no mesmo comprimento de onda; somos nós que temos de ajustar o receptor separadamente para cada estação de rádio. É interessante que haja muitas crianças e, de certa forma, mais mulheres entre os videntes; aparentemente, as crianças são sensíveis e não são sobrecarregadas por suas próprias frequências e, portanto, captam as frequências Divinas com mais facilidade; as mulheres provavelmente são receptoras mais sensíveis e, portanto, o Céu estabelece mais facilmente a comunicação com elas – transmissões.
- são microfones,
- também são seletores,
- têm uma função de amplificador,
- Sua própria frequência está envolvida, bem como a frequência de seu ambiente na recepção e transmissão das mensagens. De sua própria maneira, a “vivificação” das mensagens está envolvida aqui: ou seja, elas passam por suas vidas e se tornam mais visíveis, mais legíveis. Lembremo-nos de como, no Antigo Testamento, o Senhor comunicava suas mensagens por meio de ações simbólicas, mesmo as muito dolorosas (cf. o profeta Ezequiel, Josué e outros).
Relações entre o público e a hierarquia
Essa é uma questão particularmente sensível e precisa ser abordada.
Trata-se essencialmente da relação entre carisma e instituição na Igreja.
O Concílio Vaticano II chamou explicitamente a atenção para a relação entre os dons carismáticos da graça e a hierarquia e afirmou que é necessário estar aberto a todos os dons da graça do Espírito Santo, os ordinários e os especiais, que os pastores da Igreja são chamados a não rejeitar esses dons, mas a avaliá-los – aceitar os autênticos e rejeitar os inautênticos (cf. LG 12).
Em muitos níveis, portanto, a questão dos critérios de autenticidade dos carismas, ou daqueles que os possuem, especificamente – em nosso caso – os visionários, é colocada. Vamos, portanto, apresentar alguns dos principais critérios para avaliar essa autenticidade.
Critérios de autenticidade
Entretanto, lembremo-nos de que tanto no Antigo quanto no Novo Testamento a questão da autenticidade dos videntes-profetas é colocada. Ou seja, havia profetas e apóstolos autonomeados, de modo que no Antigo Testamento Moisés chama a atenção para a cautela, e no Novo Testamento o próprio Jesus fala sobre os falsos profetas. E Paulo e João advertirão contra os falsos apóstolos.
Portanto, são necessários critérios para reconhecer os verdadeiros profetas, apóstolos e videntes. Esses critérios devem ser levados a sério. Vamos mencionar alguns deles que estão relacionados ao papel dos videntes:
- Um visionário deve proclamar Deus e os planos de salvação de Deus; se, no entanto, em suas proclamações ele fizer o oposto, não proclamar os planos de Deus, mas os seus próprios, ele não é, portanto, um visionário genuíno;
- Se ela proclama a Revelação Divina a fim de elevar o Povo de Deus, o Corpo de Cristo, a Igreja; se, por meio de sua pregação, semeia discórdia, mina o Templo Divino, rasga o Corpo de Jesus, certamente não é autêntica;
- A ação da revelação de Deus deve, antes de tudo, ser vista no próprio vidente, como enfatiza São Paulo ao defender sua missão apostólica.
Aqui eu citaria em particular os critérios que uso do livro do Dr. Heribert Muhlen (New Encounter with God, Jelsa 1994, pp. 205-207, ł14-£19). Aqui estão os principais:
- se os videntes estão no caminho da devoção a Deus:
- por meio da fé, da confiança e do amor?
- Eles confiam em suas próprias habilidades e métodos ou no poder de Deus?
- qual é o sentimento deles em relação à Igreja:
- Eles são guiados por seu amor pela Igreja concreta: O povo de Deus?
- Qual é a atitude deles em relação aos pastores da Igreja?
- incentivar a elevação do Corpo de Cristo, a Igreja?
- estão abertos a servir as pessoas?
- Eles estão ávidos por fama e benefícios para si mesmos ou para os outros?
- Eles estão dispostos a cooperar?
- Suas críticas, caso as expressem, são edificantes ou destrutivas?
- seguir Jesus na vida cotidiana?
- Como eles desempenham suas funções: na escola, na família, no trabalho?
- dar o fruto do Espírito Santo?
- eles espalham paz ou confusão? – carregam em seus corações a promessa de alegria e amor
- tem amor para dar?
- Como eles são em relação ao exagero e à negatividade?
- Exagerar o real e o bom? – Acentuar o negativo? – insistir nos lados sombrios, nas feridas e mutilações internas? (Isso indica o efeito destrutivo de Satanás sobre o homem).
Um vislumbre dos espectadores de Medjugorje
Os fatos acima mencionados da história do Antigo e do Novo Testamento, bem como da história da Igreja, devem ser aplicados concretamente ao caso dos videntes de Medjugorje: – os visionários (de um ponto de vista fisiológico, psicológico, espiritual e místico), – o conteúdo das mensagens que eles transmitem em nome de Nossa Senhora (biblicamente, teologicamente, eclesiasticamente, legalmente, ascética e misticamente), – as mensagens recebidas em suas vidas (vida pessoal e comunitária, vida pessoal, vida familiar, a atitude em relação à Igreja e às autoridades eclesiásticas, especificamente em relação ao bispo, ao papa, ao pároco), a maneira como as mensagens foram proclamadas (em palavras, ações, vida), os frutos das mensagens (conversão, oração, penitência, sacramentos, rosário, confissões, Eucaristia, reconciliação, espiritualidade mariana….] Esse é um assunto para um estudo e uma pesquisa separados, longos e cuidadosos.
III. PROPOSTA
O papel do vidente, então, na revelação universal e pessoal – é o de um intermediário. Ele corresponde à nossa estrutura individual e comunicativa, bem como à atmosfera histórica e ao dinamismo da raça humana. Seu papel, portanto, é totalmente subordinado ao papel de mediação – é sempre silencioso, discreto, invisível – como, figurativamente falando, o papel do microfone e do sistema de som na transmissão de palavras. Quanto menos visíveis forem o microfone e o sistema de som, melhor eles farão seu trabalho. Quanto mais imponentes forem, com seus chiados e deformações do som, piores serão.
O modelo para os intermediários é a Virgem Maria. Ela passa completamente silenciosa para o ORDENADOR INICIAL, desaparece em sua sombra e reaparece somente no Calvário. Parece que é exatamente dessa maneira, muitas vezes, que Maria aparece na história em tempos de crise – novamente ao lado de Cristo e carregando Cristo muitas vezes ferido, crucificado – em nossos seres humanos e em nossos corações, para que Ele possa se tornar vivo em nós, porque o próprio Cristo, da Cruz, nos deu a ela como filhos e ela a nós como Mãe! À maneira de Maria, os videntes participam de nossos “Cânones”, de nossos “Calvários”, ouvindo e repetindo as palavras que o Senhor coloca em seus corações: “O que Ele lhes disser, façam!” (João 2:5). Esse é o papel dos videntes: voltar-se para Jesus – e desaparecer nas sombras! Somente Cristo e Sua Palavra permanecem!
O. Josip Marcelić